A Garota do programa

A revolução nas comunicações criou uma outra revolução, menos tratada, mas muito conhecida. A revolução sexual 2.0! Hoje em dia todo mundo tá acessível a um click e muitos clicks são com interesses sexuais. A liberdade sexual está em voga. São homens e mulheres, casais e trissais, hetero e homossexuais em busca da sensação suprema dos mortais. Gente que trabalha, tem posição social e vai a igreja aos domingos. Não são raros os de discurso conservador. Mas como diria o índio em confronto com os costumes:

– Revolução de quem, cara pálida?

Porque quando uma mulher desesperada resolve vender seu corpo para sobreviver, muitas vezes para levar o básico para a família, aí não vale. A reação é a de que “virou puta!”

Ninguém foi lá quando a geladeira estava vazia, quando as contas assombravam, quando o desespero batia. Mas todo mundo aponta o dedo.

É tragicômico porque dizem que é a profissão mais antiga do mundo e sendo ou não verdade, a maioria das pessoas que se prestam a este papel não estão em busca de prazer, mas de subsistir.

É humilhante e doloroso e muita gente acaba perdendo a dignidade e os vínculos sociais, vivendo a margem da sociedade como se fazer sexo por necessidade financeira fosse algo muito mais abominável do que fazer orgias só por diversão.

A mulher é subjugada, sofre todo tipo de abuso físico e emocional desde que o mundo é mundo.

Admirar a médica, professora ou advogada que tem um relacionamento liberal e crucificar a mulher em dificuldade que não vê outra saída a não ser vender seu corpo para não morrer de fome e desamparo é uma das formas mais cruéis de hipocrisia.

Toda mulher apontada como “puta” só queria ter a opção de escolher com quem trepar como fazem as pessoas que as difamam e são da grandeza dos heróis que se sacrificam por alguém ou por algo. Quem nunca desejou alguém de graça que atire a primeira pedra!

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