A novela “Nos tempos do imperador” mostra as aventuras do jovem Pedro que, casado, se envolve extraconjugalmente, justifica a pulada de cerca pelos interesses por trás de seu casamento arranjado e a internet questiona o porque de os casamentos de antigamente durarem bem mais que os atuais.

As justificativas do moçoilo explicam em parte. De fato, o casamento por amor é uma “novidade” historicamente falando. Ao longo do tempo o casamento sempre foi mais um negócio que um relacionamento. As famílias é que arranjavam o matrimônio. As mais abastadas segundo interesses políticos e econômicos e as menos favorecidas por meio de ajustes mais comezinhos. O amor, que sempre existiu, era associado a traições, tragédias e desventuras.
Com a urbanização e evoluções tecnológicas e de costumes a mulher foi deixando de ser objeto e o advento da pílula anticoncepcional arrebentou de vez a última barreira. Mas o que parecia ser um sonho perfeito só mudou os problemas de lugar. Hoje as mulheres são independentes, casam e descasam ao Bel prazer, mas ninguém sabe o lugar deste desconhecido: o amor…
Antes os costumes religiosos e sociais conferiam aos homens tudo e as mulheres nada. Ninguém ligava muito e todo mundo se aventurava em camas alheias e fortuitas. Os homens porque podiam e as mulheres, estes seres tão doces, em busca de carinho, amor e prazer. O que mudou?
É que o casamento por amor também não deu muito certo. E não é culpa do amor, viu? As pessoas é que não o conhecem, entendem ou sequer sabem identificar. É comum confundir paixão, tesão, amizade e dependência com o mais nobre dos sentimentos. Todo mundo diz que “amor só de mãe” mas pouquíssimos estão dispostos a amar como as mães amam seus filhos.
Outro dia ouvi uma história que ilustra bem o tamanho do paradoxo: o casamento caiu na rotina, a mulher cedeu aos galanteios de um colega de trabalho, a história se tornou pública e ambos saíram de seus relacionamentos para viver este “amor bandido”. Pouco tempo depois a nova relação caiu na rotina, a desconfiança mútua se agigantou, as brigas só cresciam, o homem voltou para seu antigo relacionamento e a mulher entrou em depressão: mal falada e sozinha. Coube ao ex marido socorre-la e ajudar a se reerguer na vida, embora sem reatar a relação. O que foi traído e abandonado por supostamente não fazer por merecer a moça, foi o único que entendeu e demonstrou amor na história toda. Aqui não importa o desfecho de cada personagem, mas do amor que acreditavam sentir.
A grama do vizinho sempre parece mais verde e para o tal do amor isto não é nada bom. O ser humano é instintivamente atraído pelo proibido e arriscado e quando permite por imprudência ou imperícia que seu relacionamento caia na rotina e se torne um tormento, está montada a arapuca: Qualquer coisa que pareça doce e seja novidade pode ser confundida com o amor. A carência abre as portas do desejo e a vontade de se livrar do peso que seu relacionamento representa cria a ilusão de que o problema é a pessoa antiga e a solução a pessoa que apareceu na hora exata. Só bem mais tarde se percebe que a cegueira por não saber administrar os problemas fez confundir instinto com sentimentos e que o novo “amor” pode ser tão ou mais problemático que o anterior, mas aí morreu Neves. O problema não são as pessoas, mas a forma de se relacionar e o amor nada tem a ver com isto.
Ha casais onde os parceiros pulam a cerca de comum acordo, outros que sabem das escapulidas mas fingem que não por conveniência ou dependência e ha casais que juram e cobram fidelidade, embora nem sempre cumpram. Tá tudo bem de qualquer forma, desde que saibam onde enfiar o amor no meio disto tudo.
Assim como a traição não é o ato de deitar em si, o amor não é o exercício de se relacionar ou de jurar em si.
Muita gente que nunca conheceu outro parceiro trai demais sem se dar conta e muita gente que acha que ama na verdade só suporta. Seja por dependência financeira ou emocional ou por puro comodismo.
Sem saber a diferença pode pular de relacionamento em relacionamento quantas vezes for ou se martirizar preso a um relacionamento infeliz, sofrimento cotidiano, as convenções e amarras sociais que não faz diferença alguma.
O amor verdadeiro transcende o relacionamento, as convenções sociais, os costumes e até a convivência. Há até quem se afaste por amor. Enquanto você não descobre use a regrinha: Se faz somente bem é amor, se faz mal não é. Aí você pode decidir se pula cerca, se muda o parceiro ou se conserta o que tá errado no seu relacionamento. Se há amor na sua escolha vai dar certo.